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Como se preparar para o Circuito "O" em Torres del Paine

Como se preparar para o Circuito “O” em Torres del Paine

|   03, mar 2016

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Como se preparar paro Circuito “O” em Torres del Paine é uma questão que abrange vários aspectos. Vamos tentar focar nos principais pra que você planeje tudo direitinho e curta da melhor maneira sua viagem.

O Circuito “O” ou Circuito Maciço Paine, é um trekking de 8 a 10 dias de duração. Há quem faça em 7, acredito que assim não dê pra aproveitar muito, nós fizemos em 9. Extenso e cansativo, apenas 5% dos visitantes do parque encaram o desafio, mas garanto que o famoso Circuito W é bem mais difícil em termos de nível de dificuldade das trilhas. A grande questão do Circuito O é o tempo de caminhada. Trata-se de mais de uma semana de longas caminhadas diárias e isso exige certa resistência física e também psicológica. Não é fácil andar horas a fio e se dar conta que tem mais horas ainda, dias de caminhada por vir. Sobretudo quando se pensa em terrenos pedregosos com muita subida ou descida, além da exposição às intempéries patagônicas. Mas nem só de “sofrência” é feito o caminho, pelo contrário. Há muito mais recompensas do que se imagina. Na verdade a maior parte das trilhas é por terrenos relativamente fáceis, alguns trechos são um verdadeiro passeio no bosque e a beleza, essa é uma constante no percurso. E não é só beleza cênica não. Tem toda uma beleza no ato de conquistar cada quilômetro com suas próprias pernas e carregando tudo que você precisa pra sobreviver ali. Tem uma beleza silenciosa também, aquela que só enxergamos quando estamos vivendo o momento presente, e isso fatalmente vai acontecer, pois você tem que estar atento ao caminho. Dito isso, vamos contar como foi nossa preparação e dar dicas pra você fazer a sua.

O planejamento

Nós recomendamos que você planeje sua viagem com a maior antecedência possível, principalmente se for a primeira vez, mas confesso que nós decidimos ir meio de última hora e tivemos pouco mais de 1 mês pra planejar tudo. Os motivos dessa decisão um tanto impulsiva foram vários:

1)Já conhecíamos o parque, fizemos o Circuito W em 2011.

2)Já tínhamos o preparo físico necessário e isso conta bastante, não dá pra uma pessoa totalmente sedentária se meter numa empreitada dessas. Se for seu caso, considere conhecer apenas alguns dos principais atrativos do parque e de outra maneira que não a pé. Há algumas disponíveis como carro, ônibus, cavalo e barco. Não há certo ou errado, melhor ou pior, é uma questão de escolha, disposição, tempo e dinheiro disponíveis.

3)Conseguimos encontrar uma passagem com preço bom na Black Friday. Depois disso foi só alegria, pois conseguimos parceria com a Fantástico Sur e a Vértice Patagônia, as empresas que administram os campings e refúgios, e não precisamos pagar por alguns alojamentos e refeições dentro do parque, que não são gastos pequenos.

4) Sobre o preparo físico, nós já praticamos atividades como corrida, yoga e caminhada regularmente, apenas intensificamos um pouco nesse mês que antecedeu a viagem. Se você não costuma se exercitar, recomendamos que comece a se mexer pelo menos 3 meses antes de se jogar no Circuito O.

5)Subir escadas, pedalar e fazer musculação são ótimos exercícios pra ter um bom condicionamento físico e evitar lesões na trilha. Aproveite e cuide da alimentação, quanto mais saudável seu organismo estiver, melhor vai ser sua experiência na natureza selvagem!

A melhor época pra ir à Torres del Paine

Torres del Paine é um destino de temporada e o Parque fica aberto de setembro a abril, alguns acessos fecham durante parte o inverno. Em termos de clima/paisagem/lotação, a melhor época para visitar Torres del Paine é durante a primavera, de setembro a dezembro. Janeiro é altíssima temporada, se puder evite, pois os preços se elevam e a quantidade de gente no parque também. Porém, no verão, além de um clima mais amigável, a vantagem é o aumento do período de luz natural. Os dias são mais longos (16 horas de luz solar) e as trilhas podem ser feitas com mais paradas para descansar, contemplar e fotografar as deslumbrantes paisagens. Nós fomos no verão, em pleno mês de janeiro porque era o único mês de férias possível pra gente, não fosse isso, certamente iríamos em outubro 😉 Durante o outono e parte do inverno, as temperaturas caem bastante e a neve muda a paisagem, porém o clima torna-se mais estável. Quanto mais próximo do inverno, maior o acúmulo de neve nas trilhas, e alguns trajetos, acampamentos e refúgios nos circuitos podem estar fechados. Em qualquer época, lembre-se que o clima da região é influenciado pela latitude, pelas cadeias montanhosas e também pelos glaciares, por isso vá preparado pra sol, calor, frio, chuva e quem sabe até neve, nunca se sabe. Independente da época, e sobretudo na alta temporada, é necessário reservar os alojamentos dentro do parque, sejam refúgios ou campings, pagos ou gratuitos.

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Saiba que mesmo indo no verão, além de ventar muito, o clima da região é naturalmente mais frio e o tempo por lá costuma mudar bruscamente, então é necessário ir preparado para todas as estações do ano. Também é bom saber que no verão o Sol se põe por volta das 10 da noite e que durante a madrugada as temperaturas despencam, mesmo que tenha sido um dia super quente. Prepare-se para sentir o famoso vento patagônico, ele pode dar as caras a qualquer momento!

Quanto tempo ficar em Torres del Paine?

Pra fazer o Circuito “O” em 9 ou 10 dias e conhecer tanto Torres del Paine quanto Puerto Natales com tranquilidade, acredito que no mínimo 12 dias sejam necessários. Considere o tempo de viagem do Brasil até Puerto Natales (e vice-versa) e deixe pelo menos 1 dia inteiro (nós deixamos 2) pra descansar antes de começar a aventura. Faça o mesmo depois que terminar, viajar de avião cansa e desgasta muito o corpo, por isso cuide bem dele antes, durante e depois do trekking. Se você for fazer uma viagem mais longa, aproveite pra conhecer outros lugares incríveis da região.

Por onde começar o Circuito O em Torres del Paine?

Pra fazer o Circuito O, a primeira coisa a considerar é qual será seu ponto de partida e de término do circuito, pois assim poderá planejar todo o resto. O segundo fator importante é verificar as distâncias entre os pontos de interesse e desses em relação às bases de alojamento. Assim poderá definir onde pernoitará e seu limite de quilômetros a serem caminhados por dia.

Nós saímos da Portaria Laguna Amarga e deixamos o mirante na base das Torres pro último dia. Há quem prefira já ir direto ver as famosas torres símbolo do parque, principalmente se o tempo estiver aberto, só pra garantir uma boa vista. Felizmente tivemos sorte na duas vezes que estivemos no parque e vimos tudo em dias ensolarados. Já soubemos de muita gente que foi até lá e estava tudo encoberto de nuvens. Se isso acontecer com você não desanime, há muita beleza em contemplar a natureza do jeito que ela é, já falamos disso aqui.

Você pode iniciar o circuito em outro ponto, por exemplo a Guarderia Pudeto, onde se pega um Catamarã direto pro Camping e Refúgio Pehoé/Paine Grande, de lá você decide se segue em direção ao Glaciar Grey ou Vale do Francês. Essa escolha vai depender também do seu bolso, pois o preço do catamarã acaba pesando no orçamento de viagem. Trata-se de 20 minutos de navegação por 30 dólares só de ida ou 46 dólares ida e volta (preço em janeiro de 2016). Este geralmente é o ponto inicial ou final pra quem vai fazer o circuito W.

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O caminho que fizemos, saindo da Portaria Laguna Amarga em direção ao Camping Serón, foi uma ótima escolha em vários aspectos. Além de economizar dinheiro e tempo, preferimos começar pelo trecho mais tranquilo e ir aumentando o nível de dificuldade, pois o corpo vai se acostumando a caminhar com o peso da mochila ao longo dias. Além disso, como já contei, deixamos o que seria a cereja do bolo pro último dia. Ao optar por ver as torres no primeiro dia, você terá que subir e voltar, totalizando 18 km de caminhada logo de cara.

Na portaria Laguna Amarga, depois de se registrar e pagar a taxa de visitação, você pode optar por caminhar 7km em uma estrada de terra sem maiores atrativos e com muita poeira ou pegar ônibus até o camping e refúgio Torre Central da Fantástico Sur e um hotel de luxo, o Las Torres.

Oriente-se pelo mapa oficial do CONAF, disponível nesse link e escolha o seu trajeto.

Onde ficar em Torres del Paine

Quem faz esse trekking, pode escolher entre ficar acampado ou hospedado nos refúgios ao longo do caminho. Nós ficamos nos 2 tipos, aliás 3, pois além dos campings pagos, há também alguns gratuitos, administrados pena CONAF. Aqui vamos falar de modo geral, em outro post falaremos sobre os campings e refúgios em si. Na primeira vez que visitamos o parque fizemos tudo por conta própria, ficamos apenas em campings e levamos nossa própria comida. Confesso que não foi fácil fazer o W, além das trilhas serem mais difíceis, uma boa alimentação e uma boa noite de sono fazem toda a diferença aqui. Agora, com mais experiência, focamos exatamente na boa alimentação e descanso, e sim, influenciou muito nosso desempenho. Além disso, dessa vez contamos com o apoio da Fantástico Sur e da Vértice Patagônia, empresas que administram alguns refúgios e campings dentro do parque.

Refúgio ou camping?

Ficamos nos dois tipos de hospedagem, e claro, nada substitui o conforto de uma cama de verdade, com travesseiro e cobertor quentinho. Mas também gostamos muito de acampar. É gostoso abrir mão do conforto de vez em quando e se sentir realmente numa aventura. Além disso, se você investir em equipamentos como colchonete e saco de dormir, isso nem vai fazer tanta diferença assim. Os refúgios são lugares de passagem com estrutura e proteção contra as mudanças climáticas da Patagônia, como aquecimento interno, energia elétrica, restaurante, água quente, quartos compartilhados com beliches e banheiros. São feitos de madeira, possuem ambiente aconchegante e uma galera super simpática e solícita que trabalha neles. Estão situados em lugares estratégicos e espetaculares, variando em tamanho e qualidade dos serviços oferecidos. Os serviços em geral são ótimos, providenciais. Todos atendem bem ao que se propõem. Também tivemos a oportunidade de dormir em um domo. Os domos são opções relativamente recentes no parque e são feitos de estrutura metálica e cobertos por uma lona resistente. Dentro deles há beliches e em alguns há também banheiros (Refúgio Francês).

Simples ou Full Board?

Essa escolha vai depender do seu orçamento. Também vai afetar seu planejamento, pois em alguns lugares só é possível ficar em camping e você terá que emendar alguns trechos pra chegar em alguns refúgios. Logicamente, ao optar por ficar apenas refúgios você não precisar levar muito peso. Ao carregar menos peso, sua caminhada será mais confortável e quem sabe fará as trilhas em menos tempo. Por outro lado, você pode acabar perdendo o toque de aventura.

 

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Refeitório do Refúgio Paine Grande.

Ficando nos refúgios, você pode optar por serviço completo ou apenas a cama simples. Full board é a opção completa. Inclui café da manhã, lanche para a trilha e jantar. Também é possível escolher as refeições separadas, o que pode ser de grande ajuda pra quem vai ficar apenas em campings, ou pra quem vai ficar nos refúgios mas precisa ou quer economizar em outros itens. Dá pra montar de várias maneiras seu orçamento e roteiro. Analise suas preferências e condições e decida de acordo com o que for melhor pra você.

Quanto custa ficar nos campigns e refúgios em Torres del Paine?

Os campings custam 8.500 pesos chilenos, o equivalente a 12 dólares ou R$ 50. Já os refúgios custam a partir de 35 dólares. Os valores variam entre os refúgios e temporadas. Para maiores detalhes acesse os sites das empresas Fantástico Sur e Vértice Patagônia.

Agora que você já tem informações sobre os alojamentos, seus preços e localização, comece a planejar sua grande aventura e boa viagem!


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  • Comentário

    1. Ótimo guia, Dri. Ainda não fiz Torres, mas morro de vontade. Deve ser bonitão mesmo. Vamos combinar uma trilha qualquer hora, hein?! Beijos

      • Valeu Rafa e obrigada por comentar. Vamos sim, inclusive estava pra te perguntar sobre Itatiaia, você já fez?! Morro de vontade rs…

    2. Felipe

      Boa tarde. Estou muito em dúvida se faço o circuito W ou o O. Tenho um ótimo preparo físico e já faço muitos trekkings. Pretendo ficar na patagônia durante 18 dias, então estou em dúvida se faço o circuito O ou se faço o W e aproveito o resto do tempo para visitar outros lugares. O que vocês acham? Muito Obrigado.

      • Olá Felipe, isso vai depender de muita coisa. Quais suas vontades e prioridades? Qual seu orçamento? Vai ficar nos alojamentos ou acampar? Lembre-se que você tem que calcular seus gastos com alimentação e hospedagem, seja no parque ou em outras cidades da Patagônia… No nosso caso a gente queria estar no parque mesmo, na natureza e fazer a caminhada era o mote da viagem. Se pra você funcionar assim também, indicamos o Circuito O. Mas se você quer conhecer lugares diferentes então faça o W e deixe o resto do tempo pra visitar outros lugares 😉

    3. Anderson

      Adorei a experiência o relato e a ajuda. Se posso abusar um pouco de sua experiência gostaria de saber algumas coisas.

      Vou ficar exatos 11 dias no chile viajo dia 10 e volto dia 21 de Punta Arenas.
      Será que dá tempo do Circuito O.

      Quero gastar o minimo possível irei viajar com barracas e tudo. quero ficar nos campings ou refugios, mas não entendi uma coisa, sou obrigado a pagar para essas empresas que administram previamente esses valores? ou posso pagar avulso a medida que chego?

      ou seja eventualmente alimentação – e camping quanto aproximado irei gastar nesses 8 ou 9 dias.

      Tenho excelente preparo físico.
      tem um onibus de Punta Arenas para o parque? quanto é?
      Tem que pagar a estada no parque? quanto é?

      Enfim, agradeço imensamente pela ajuda

    4. leonardo Henrique silva

      Olá muito bom as informações do post de vocês. Pretendo fazer o W em dezembro. Sou sedendário, confesso. Vocês acham que uns cinco meses de preparação é suficiente?

      • Olá Leonardo, que bom que está gostando do blog. Então, isso vai um pouco de cada um, e depende de como vai ser essa sua preparação. Eu acho que é possível sim. Tente fazer algumas trilhas por aqui antes. O que pode ajudar bastante é ficar nos refúgios, comprar comidas e lanches prontos deles, etc.. Vai tirar peso de suas costas e te dar mais energia. O único problema é que os preços são um pouco elevados.

        Abs.

    5. Nicolas Lehaitre

      Bom dia aventureiros,
      Primeiramente obrigado pelo post relevante e informativo. Em janeiro vou fazer uma viagem de bicicleta pela patagonia e estou encontrando informaçoes importantissimas no seu blog!! Gostaria da sua experiência para algumas duvidas especificas:
      – É necessario reservar os campings / abrigos com antecedencia? se sim, quanto tempo antes? (pretendo fazer o circuito O)
      – Qual a média de tempo que vocês caminhavam por dia entre os diferentes campings/abrigos? (circuito O)
      – Cambio: as casas de cambio aceitam Reais ??
      Um abraço a todos!

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