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Uma droga chamada viagem

Uma droga chamada viagem

|   26, mai 2015

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Este é um post um pouco diferente, mais pessoal, sobre algo que venho percebendo em mim mesmo, algo que descobri por acaso e no qual venho trabalhando e aprendendo a cada dia. Talvez seja uma bobagem, mas achei importante compartilhar e conversar com quem quiser levar esse assunto adiante.

Antes, vou começar descrevendo como isso chegou à minha cabeça.

Como todos sabem, esse ano a crise chegou. E chegou com tudo. Como sou um mero freelancer e não tenho uma renda fixa, já comecei logo a fechar as mãos, inclusive para viagens, o que me entristeceu um pouco. Procurando alternativas, combinei com a Adriana de cortarmos por um tempo as viagens longas e irmos acampar ao menos uma vez por mês. É algo simples, barato e que revigora o espírito.

Estávamos numa noite acampando na praia do Camburi, em Ubatuba, litoral norte de São Paulo. A praia  é bem pequena, tem apenas uma rua de terra, alguns moradores e pouquíssimos turistas, principalmente fora de temporada. A noite, depois de alguma dificuldade com a nossa fogueira, decidimos ir até um pequeno boteco para tentar comer algo, era a única coisa aberta. Lá dentro havia um grupo de moradores, alguns homens e mulheres, todos muito chapados, muito alegres e muito simpáticos. Pedimos um pastel e esperamos olhando o mar de um lado e aqueles moradores se divertindo de outro.

Viagem01

De repente me veio a mesma sensação que eu tenho em alguns momentos quando estamos muito longe de casa, lembrei de quando estava em Hué, no Vietnã. Uma sensação gostosa de que, como diria Tom Jobim, o que a gente leva dessa vida é apenas a vida que a gente leva. É uma mistura de emoção com uma vontade de sentir mais, viver mais. Difícil explicar em palavras, mas acredito que a maioria das pessoas aqui já sentiu.

“A gente leva da vida a vida que a gente leva.”

Tom Jobim

Acredito que essa sensação seja como uma droga, uma droga lícita, na qual viciamos e depois sempre buscamos mais. Acontece que comecei a prestar um pouco mais de atenção nisso, e reparei que nas viagens seguintes, mesmo não sendo pro outro lado do mundo, para outro continente ou fora do país, eu conseguia atingir essa sensação. Percebi que quando paro de olhar o todo e percebo os detalhes, encontro muitas coisas novas bem pertinho de mim. Que quando me abro e estou predisposto a receber, detalhes que nem imaginava que existiam aparecem na minha frente. E assim cada vez mais fui percebendo isso e tentando treinar meu olhar.

Há algumas semanas atrás, numa noite fria, decidi sair com a Adriana e ir tomar um caldinho, não sei como fomos parar do outro lado da cidade, num trailer antigo, num bairro bem simples. Em certo momento, nós dois sentimos tal sensação que essa droga chamada viagem proporciona. E isso a apenas 15 minutos de casa.

Apesar desse ser um blog de viagem, esse texto é uma reflexão de como podemos {também} ser felizes sem precisar ir muito longe. Acredito cada vez mais que encontrar esse algo que sentimos quando viajamos é uma questão de abertura e treino, e que para descobrir coisas novas, basta apenas abrir a porta e dar um passo. E que quando contamos nossas histórias sobre viagens para lugares tão distantes, não podemos criar a ilusão de que toda a felicidade de uma vida está em viajar, e sim usá-las pra ajudar a descobrir e admirar o que está aqui perto.

Viagem03

Que tal não precisar de tanto planejamento, dinheiro, vistos e passaportes para ter a sensação gostosa dessa droga chamada viagem? Não parece uma boa idéia? Esse é um assunto que vai longe, então coloca suas percepções aqui embaixo nos comentários e compartilha esse texto para chamar mais gente para esse papo!

Obs: esse não é um post para desestimular quem quer viajar, mas para refletir sobre o que nos traz a alegria e outras coisas que sentimos  quando viajamos.

Veja também:
Viajando com os pés no chão
Corre atrás que o mundo é seu

 


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    Comentário

    1. Lígia Santos barreto da Costa

      Sei como é…

      Ainda não viajei muito, mas sempre em pequenas viagens sinto isso. Algo parecido com o que sinto ao visitar uma livraria.

      • Legal Lígia, é bem isso mesmo! Quanto mais aberto estivermos para coisas novas, melhor!

    2. A vida de hoje é tão agitada que esquecemos de prestar atenção nos detalhes do dia-a-dia. Boa reflexão!

    3. Adris

      Interesante! Yo creo que tiene que ver con cuan conectados estamos con lo que tenemos alrededor. A veces uno viaja lejos y no siente eso, y otras veces, como me pasó en la ciudad de Rosario, caí de casualidad en una quermese ambientada como si fuese de los años ’50, con luces de colores, personal con vestimenta de época, juegos y música y de golpe sentí una felicidad enorme por estar “ahí y en ese momento” como si estuviese dentro de una película o en otra época. Algo similar me ocurrió al pisar por primera vez Purmamarca. Coincido que es algo inexplicable y muy hermoso. :)

    4. MARIO LUCIO DE OLIVEIRA

      Meus parabéns! Compartinho desse mesmo pensamento, temos que ter os olhares para as coisas a nossa volta, uma simples caminhada pode nos nos dar uma grande sensação de felicidade. Também sou viciado em viajar e viajo do jeito que dá, graças a DEUS minha esposa me acompanha e o meu trabalho me permite.

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